Cantinho de leitura

Essa semana eu fui jantar na casa da minha melhor amiga, Mari Britto. Ela se casou em abril e agora podemos dizer que a casinha dela está com cara de lar: decoração, móveis, carinha de que já tem um casal vivendo ali e que está muito feliz. Tudo muito lindo e caprichado.

A minha parte favorita? O cantinho da leitura (nome dado por mim, tá?). Estou quase levando alguns livros para deixar lá e me refugiar nas poltronas quando ficar de mau humor!

Detalhe do bar, lugar perfeito para apoiar a taça de vinho!

 

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Entrevista com Tatiana Salem Levy

Este post é muito especial porque trata-se da primeira entrevista que eu fiz pelo Leitura da semana!

Eu fiquei tão encantada com o livro A chave de casa que não me segurei e mandei um email para editora pedindo o contato da Tatiana Salem Levy. Ela respondeu rápido e topou participar, mas como estava terminando um romance não tinha tempo de responder às perguntas por email. Daí ela me deu seu telefone e conversamos.

Fiquei tão nervosa, mas tão nervosa, que dei vários foras, gaguejei, ou seja, um horror! Isso que uma das minhas funções no trabalho é entrevistar pessoas por telefone. Mas acho que quando você fala em nome de um programa ou veículo que não é projeto seu, fica mais fácil. Naquela conversa era eu, representando eu mesma. Fiquei super tensa e intimidada.

Mas tudo isso foi só para dizer que estou muito orgulhosa de mim por ter superado as dificuldades e postar agora um pouco do que foi minha conversa com a Tatiana #aplausos

A Tatiana é carioca e enquanto escrevia sua tese de doutorado começou a escrever o romance A chave de casa. Sua orientadora ficou sabendo e a estimulou a apresentar o livro no lugar da tese e ela aceitou o desafio.

O livro é uma mistura de ficção e não ficção. “A escrita é sempre pessoal. A partir do momento em que você começa a escrever, aquilo faz parte da sua vida. Na verdade, tem muito mais coisa inventada do que fatos que realmente aconteceram no livro.”

Quando perguntei sobre as diferentes vozes do livro, Tatiana contou que começou a escrever a história com uma só voz, e que as outras foram surgindo pelo caminho. Resolveu escrever tudo ao mesmo tempo, enquanto as ideias surgiam. “Quando terminei tive que imprimir e montar o livro, como se fosse um filme. Tive que descartar muitas passagens que não se encaixavam.”

Cada escritor tem um processo criativo particular. A eescritora nunca se senta na frente do computador sem antes fazer anotações a mão sobre o que quer contar. Tenta planejar a história, por mais que muita coisa mude no caminho. “As vezes faço alguns esquemas com os personagens, crio perfil, mas isso raramente serve para alguma coisa na hora de escrever a história.” Mas ajuda a esclarecer as ideias.

Perguntei sobre suas influências e ela respondeu de maneira bem simples: “Não tenho nenhuma influência.” Calma, não foi tão seca assim. Ela disse que a partir do momento que ela começa a ler uma obra, esta passa a influenciá-la de alguma maneira. Mas isso não quer dizer que  ela volte ao livro para inspiração. O que ela leu e o que a inspirou ficou guardado dentro dela, e isso se reflete no que ela escreve. Na maneira em que ela escreve.

Pedi dicas de escritores brasileiros que ela recomenda, já que conheço poucas obras de escritores contemporâneos. Os nomes citados pela escritora foram:

Carola Saavedra
Michel Laub
Adriana Lisboa
Manoela Sawitsky

Não conhecia nenhum deles, mas já estão na minha wish list!

Tatiana está acabando seu próximo romance e eu já estou na porta da gráfica para ler assim que sair.

Tatiana fofa!

Muito obrigada pela entrevista Tatiana!

Espero que tenham gostado da entrevista. Para mim foi um desafio incrível! Prometo melhorar na próxima.

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A Chave de casa

Sabe quando você pega um livro e se identifica tanto com a história, que até perde o ar?

Foi o que aconteceu quando li A Chave de Casa, de Tatiana Salem Levy.

O livro é contado em três vozes distintas, como se em cada capítulo a narradora se lembrasse de uma coisa:

A relação com a morte da mãe.

O relacionamento abusivo com um homem.

Uma viagem ao passado.

A história é assim: uma mulher, neta de turcos está deprimida na cama e se lembra de uma chave que ganhou do avô. Essa chave pertencia a sua casa em Esmirna. Um dia a narradora resolve encontrar a porta que pertence a essa chave e parte para uma viagem ao passado.

Enquanto procura por suas raízes vai, aos poucos, encontrando seu lugar no mundo e descobrindo uma força que estava escondida já há muito tempo.

Cada capítulo aborda uma dessas vozes e o livro vai se tornando um quebra-cabeça. Não sei se podemos dizer que o jogo se completa, pois sempre tem aquela pecinha que insiste em sumir, mas já se pode ver a figura que será formada.

Eu me identifiquei com o livro não porque eu tenha passado por tudo o que a narradora passou (na verdade passei por só algumas coisas parecidas), mas porque o que a narradora sente eu já senti, o que ela pensa, eu penso também. Foi como se eu me olhasse no espelho toda vez que abria o livro.

Segue uma parte que me emocionou muito:

“Você escondeu o quanto pode, evitou a palavra até onde foi possível. Você assegurou-me de que não morreria doente. De que não morreria. Você assegurou-se disso, agarrou-se a essa certeza que criara para si, mas também para mim. Eu acreditei, você não morreria. Assim podíamos viver tranquilas: criávamos nosso mundo, o nosso mundo sem morte, e nele vivíamos. Assim não tínhamos com o que nos preocupar: críavamos as nossas certezas, e vivíamos sem dúvidas. Acompanhei a sua fantasia, entrei com você no jogo. Evitávamos juntas a palavra e seguíamos adiante.”

O livro ganhou vários prêmios, como o Prêmio São Paulo de Literatura 2008 na categoria melhor autor estreante; e foi finalista do Prêmio Jabuti e Prêmio Zaffari & Bourbon de Literatura 2009. Mas não é por isso que eu o recomendo. Eu recomendo A chave de casa porque é uma experiência, mais do que uma leitura. Ler esse livro valeu como um mês de terapia.

Foto: Reprodução

Vai lá: A Chave de Casa

          Tatiana Salem Levy

         Ed. Record

         206 páginas

 

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Nova semana, novo livro

Segunda-feira ideal: sol, tranquilidade no trabalho e o mais legal, dia de começar um livro novo.

Na verdade, eu ia falar de outra coisa, mas me peguei saltitando em direção à estante para escolher o que vou ler agora. Me pareceu pertinente dividir esse surto de felicidade.

Peguei os livros que comprei na semana retrasada, me sentei em um canto do meu quarto onde bate bastante sol e li a primeira página das 4 opções que eu tinha. Foi difícil escolher um livro que se adequasse ao meu estado espírito. Ando meio ansiosa e quero algo bem light para ler antes de dormir. Acontece que eu acho que não tenho nenhuma opção que se enquadre. Daí escolhi uma história de amor!

Vou começar a ler O palácio de inverno, de John Boyne hoje a noite e mal posso esperar!

 

Foto: reprodução

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Biblioteca circulante

Descobri um site fofo que se chama book lovers never go to bed alone. Lá eles postam várias fotos de livrarias, bibliotecas, estantes, etc.

Olha a foto que eu achei:

Foto: reprodução

O verdadeiro espírito do bom leitor!

 

Bom final de semana

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Milton Hatoum

Essa semana eu comentei sobre o livro Dois irmãos, do Milton Hatoum. Depois que eu li essa obra fiz uma pesquisa sobre o autor e fiquei admirada! Parece que ele tem 120 anos, de tanta coisa que já fez!

Dá uma olhada:

Milton Hatoum nasceu em 1952, em Manaus (Amazonas), onde passou a infância e uma parte da juventude. Em 1967 mudou-se para Brasília, onde estudou no Colégio de Aplicação da UnB. Morou durante a década de 1970 em São Paulo, onde se diplomou em arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, trabalhou como jornalista cultural e foi professor universitário de História da Arquitetura. Em 1980 viajou como bolsista para a Espanha, onde morou em Madri e Barcelona. Depois passou três anos em Paris, onde estudou literatura comparada na Sorbonne (Paris III).  Autor de quatro romances premiados, sua obra foi traduzida em dez línguas e publicada em catorze países.

Foi professor de literatura francesa da Universidade Federal do Amazonas (1984-1999) e professor visitante da Universidade da California (Berkeley/1996).  Foi também escritor residente na Yale University (New Haven/EUA), Stanford University e na Universidade da California (Berkeley). Bolsista da Fundação VITAE, da Maison des Ecrivains Etrangers (Saint Nazaire,França) e do International Writing Program (Iowa/EUA).

Já ganhou o Prêmio Jabuti com o livro Relato de um Certo Oriente. O livro Dois Irmãos ficou em 3 lugar na categoria romance do mesmo prêmio. Foi indicado ao Prêmio IMPAC/DUBLIN. Em 2005, seu terceiro romance (Cinzas do Norte ), obteve cinco prêmios: Prêmio Portugal Telecom, Grande Prêmio da Crítica/APCA-2005, Prêmio Jabuti/2006 de Melhor romance, Prêmio Livro do Ano da CBL, Prêmio BRAVO! de literatura)

fonte: site do autor

E por aí vai…

Hoje em dia Milton mora em São Paulo e é colunista do Caderno 2 (O Estado de S. Paulo) e do site Terra Magazine.

Procurando no youtube achei uma entrevista em que ele conta um pouco sobre a carreira de escritor. Não é o melhor vídeo do mundo, esteticamente falando, mas o que ele conta é interessante:

E você vai me dizer que não quer ser amiga dele?

 

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Amor fraterno…

Quem não tem porblemas com a família que atire a primeira pedra. Para ser bem honesta, eu vivo um conflito sem fim com meu irmão menor. Questão de amor e ódio, mesmo.

Por isso me identifiquei muito com o livro Dois Irmãos, de Milton Hatoum. Yaqub e Omar são gêmeos e tem que lidar com os diferentes tratamentos que recebem dentro de casa. O pai, Halim, veio do Líbano e construiu em Manaus uma vida confortável para a mulher Zana, os dois filhos e a filha Rânia. Na casa ainda vivem a empregada Domingas com seu filho.

Yaquib foi mandado para o Líbano quando era a dolescente e passa o resto da vida tentando entender por que ele teve que ir, enquanto o irmão ficava sob a proteção da mãe. Essa preferência influencia diretamente a personalidade e a relação dos irmãos, que tem em comum apenas o amor pela irmã.

Para dar mais magia à história, temos como cenário Manaus. Eu não leio muito literatura brasileira (estou tentando mudar) e me surpreendi com a riqueza da região amazônica. A mistura de raças, as diferentes culturas, tradições e lendas proporcionam uma infinidade de possibilidades literárias.

Segue um trecho da abertura:

“Zana teve de deixar tudo: o bairro portuário de Manaus, a rua em declive sombreada por mangueiras centenárias, o lugar que para ela era quase tão vital quanto a Biblos de sua infância: a pequena cidade no Líbano que ela recordava em voz alta, vagando pelos aposentos empoeirados até se perder no quintal, onde a copa da velha seringueira sombreava as palmeiras e o pomar cultivados por mais de meio século.

Alguns dias antes de sua morte, ela deitada na cama de uma clínica, soube que ergueu a cabeça e perguntou em árabe para que só a filha e a amiga quase centenária entendessem ( e para que ela mesma não se traísse): “Meus filhos já fizeram as pazes?””

Milton Hatoum descreve a cidade com precisão e a gente acaba sentindo o bafo quente e úmido que vem da floresta. Quando terminei o livro fiquei com vontade de duas coisas: ler mais Milton Hatoum (lê-se ser amiga dele) e viajar para a Amazônia. Ainda não consegui atingir nenhum dos meus objetivos, mas tenho fé…

Foto: eu!

Vai lá:

Dois Irmãos

Milton Hatoum

Cia das Letras

266 páginas

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