A Chave de casa

Sabe quando você pega um livro e se identifica tanto com a história, que até perde o ar?

Foi o que aconteceu quando li A Chave de Casa, de Tatiana Salem Levy.

O livro é contado em três vozes distintas, como se em cada capítulo a narradora se lembrasse de uma coisa:

A relação com a morte da mãe.

O relacionamento abusivo com um homem.

Uma viagem ao passado.

A história é assim: uma mulher, neta de turcos está deprimida na cama e se lembra de uma chave que ganhou do avô. Essa chave pertencia a sua casa em Esmirna. Um dia a narradora resolve encontrar a porta que pertence a essa chave e parte para uma viagem ao passado.

Enquanto procura por suas raízes vai, aos poucos, encontrando seu lugar no mundo e descobrindo uma força que estava escondida já há muito tempo.

Cada capítulo aborda uma dessas vozes e o livro vai se tornando um quebra-cabeça. Não sei se podemos dizer que o jogo se completa, pois sempre tem aquela pecinha que insiste em sumir, mas já se pode ver a figura que será formada.

Eu me identifiquei com o livro não porque eu tenha passado por tudo o que a narradora passou (na verdade passei por só algumas coisas parecidas), mas porque o que a narradora sente eu já senti, o que ela pensa, eu penso também. Foi como se eu me olhasse no espelho toda vez que abria o livro.

Segue uma parte que me emocionou muito:

“Você escondeu o quanto pode, evitou a palavra até onde foi possível. Você assegurou-me de que não morreria doente. De que não morreria. Você assegurou-se disso, agarrou-se a essa certeza que criara para si, mas também para mim. Eu acreditei, você não morreria. Assim podíamos viver tranquilas: criávamos nosso mundo, o nosso mundo sem morte, e nele vivíamos. Assim não tínhamos com o que nos preocupar: críavamos as nossas certezas, e vivíamos sem dúvidas. Acompanhei a sua fantasia, entrei com você no jogo. Evitávamos juntas a palavra e seguíamos adiante.”

O livro ganhou vários prêmios, como o Prêmio São Paulo de Literatura 2008 na categoria melhor autor estreante; e foi finalista do Prêmio Jabuti e Prêmio Zaffari & Bourbon de Literatura 2009. Mas não é por isso que eu o recomendo. Eu recomendo A chave de casa porque é uma experiência, mais do que uma leitura. Ler esse livro valeu como um mês de terapia.

Foto: Reprodução

Vai lá: A Chave de Casa

          Tatiana Salem Levy

         Ed. Record

         206 páginas

 

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Uma resposta para A Chave de casa

  1. Poxa, gostei. Muito! Do seu comentário, da sugestão e do trecho do livro que você mencionou. Cometo o pecado, às vezes, de ler somente clássicos ou escritores consagrados (mas este pecado eu cometo apenas às vezes, pois também adoro ler coisas e autores novos) e esqueço que existem várias coisas novas, de uma geração rica que vem vindo e que tem muito a dizer. Ai, ai! Estou com tanta cisa pra ler em casa e você me adicionou mais uma, Verinha? Rs…bjo e obrigado pela dica.

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